Incluir não é um gesto caritativo e sim estratégico’, diz ministra em seminário internacional Brasil-Reino Unido
19/08/2008 - 17:31
Gestores de organizações públicas e privadas e especialistas dos dois países reafirmaram compromissos com a não discriminação e mobilização de mais setores para promover a igualdade de oportunidades nas empresas. O desafio para as empresas públicas e privadas tornarem o ambiente corporativo mais igualitário e diverso foi o centro de reflexões, debates e mostra de boas práticas apresentados durante o seminário internacional Brasil-Reino Unido “Oportunidades Iguais e Diversidade nas Empresas - Gênero, Raça/Etnia e Pessoas com Deficiência”, que se encerrou hoje (19/8), no Rio de Janeiro. Ontem (18/8), na abertura do encontro, a ministra Nilcéa Freire, da Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres (SPM), traçou um paralelo entre conquistas e demandas para melhoria de vida das mulheres com apreciação do Congresso Nacional, como a recém-ampliada lei de licença maternidade para seis meses e a proposta de emenda constitucional para equiparação dos direitos sociais das trabalhadoras domésticas às demais categorias urbano e rural, a ser apresentada pelo Executivo. Nos dois casos, Nilcéa mencionou a profusão de discursos conservadores, tendo como argumentos o aumento dos custos internos, a redução da competitividade dos negócios, reforçados pelas ameaças de desemprego às mulheres. “Esses exemplos mostram que a sociedade brasileira precisa ser confrontada com a realidade. E a realidade que a sociedade precisa ser confrontada é a de que o Brasil não poderá se desenvolver se não for de forma sustentável, com co-responsabilidade das tarefas de reprodução e viver e das tarefas de produção. Estamos falando de sustentabilidade da vida. Não é possível que o país desperdice talentos”, disse a ministra.Ao destacar o caráter estratégico da igualdade de oportunidades e valorização das diversidades para as organizações, a ministra considerou que “incluir não é um gesto caritativo e sim estratégico para um país que quer se desenvolver com base na solidariedade e na justiça social”, apontou Nilcéa Freire.Exclusão feminina reveladaPesquisa do Ibope/Ethos revelou, no ano passado, que apenas 11,5% das mulheres compõem o quadro executivo das grandes empresas brasileiras. O estudo constatou que a maior participação das mulheres aumenta quando decresce o poder e participação estratégica nas organizações: 24,6% na posição de gerência, 37% em cargos de supervisão e 35% no quadro funcional geral. O levantamento foi possível devido à resposta voluntária de 132 das 500 maiores empresas brasileiras e é um referencial da urgente sensibilização das empresas para valorização do trabalho das mulheres, que somam 51,3% da população brasileira e 43,5% da população economicamente ativa. O quadro se agrava se considerada a dimensão racial ou a situação das pessoas com deficiência.“A diversidade é um ideal a ser alcançado, é preciso abrir espaço para pessoas com diferentes ideais e histórias de vida”, refletiu Maria Cristina Nascimento, membro do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos, ao pontuar as questões de gênero e raça como determinantes de vulnerabilidades de pobreza e também de superação, se consideradas no bojo das políticas públicas ou de medidas afirmativas das empresas. Discriminação é diáriaPara Maria Elena Valenzuela, da Organização Internacional do Trabalho do Chile (OIT/Chile), a discriminação ocorre todos os dias sem, muitas vezes, que as pessoas percebam o quanto são discriminadas. “A discriminação é um fenômeno cotidiano que se manifesta em todo o trabalho. A forma aparentemente neutra e imparcial prejudica muitas pessoas”. Ela também alertou que a discriminação está sempre se modificando, incidindo de formas diferentes nos grupos sociais. “A não discriminação é um direito humano e a eliminação da discriminação deve ser um objetivo das políticas públicas”, afirmou Valenzuela ao citar as experiências do Canadá, Austrália e Suécia em que a legislação torna obrigatória a adoção de um plano de igualdade de oportunidades para empresas com mais de 100 funcionários.O vice-presidente do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), Armando Marianti, classificou a diversidade como um modelo em que a inovação e as possibilidades de criação crescem, assim como a manutenção de talentos nas empresas. Falando sobre o banco, Marianti disse que já foram “tomadas uma série de medidas internas em direção da diversidade” e reportando-se ao público incentivou: “temos obrigação de ter ousadia. Vamos ter ousadia”. Novos modelosDiretor do British Council Brasil, David Cordingley, salientou em sua exposição a parceria selada com a SPM através do programa Gênero e Diversidade na Escola, em que professores passam por formação para abordagem das questões de diversidade em sala de aula. “Igualdade de oportunidades é tratamento igual e não tendencioso, significa dar atenção igual às desigualdades históricas. No Reino Unido, esse tema está em alta, são muitas as organizações que levam em conta a diversidade”, comentou Cordingley. Para ele, o componente humano é fator de riqueza para as empresas. “Barreiras à igualdade devem ser identificadas e removidas. Administrar a diversidade é proteger as diferenças e motivar as pessoas para que elas sejam o que são”.A mesa de abertura também foi composta pelo ministro interino Elói Ferreira, da Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial (Seppir), e Izabel Mayor, coordenadora-geral para a Integração da Pessoa com Deficiência da Secretaria Especial dos Direitos Humanos (SEDH). O seminário Brasil-Reino Unido foi promovido pela SPM, BNDES e British Council, contando com o apoio do Instituto Ethos de Responsabilidade Social, Seppir, SEDH e Organização Internacional do Trabalho (OIT).
Fonte: www.presidencia.gov.br/spm
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